O progresso da comunicação

Auxiliar na construção de uma sociedade nova e favorecer o progresso humano por meio do processo da comunicação entre a mídia e seus veículos é o objetivo da instrução pastoral “O progresso da comunicação”

Criada por mandato do Concilio Vaticano II como continuação do decreto Inter Mirifica e publicada em 27 de maio de 1971, o Communio et progressio, “o progresso da comunicação”, é uma instrução da Igreja Católica sobre os meios de comunicação social, discutidos em 187 artigos divididos em três partes: princípios doutrinários; possibilidades e direcionamentos para que os meios de comunicação auxiliem na construção de uma sociedade nova e o favorecimento do progresso humano por meio da comunicação entre o receptor e o emissor.

“O progresso da comunicação” é um dos documentos com maior destaque na Igreja em relação às práticas de veiculação de notícias, relações públicas, expressão das artes em cinema e literatura, e avaliação e utilização dos meios de comunicação como porta-voz da Igreja no mundo.

Para a doutora em ciências da comunicação pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Simon Fraser University no Canadá, Joana Puntel, essa instrução é um novo olhar para a comunidade católica comunicadora e para os veículos seculares: “Ela é um novo olhar, pois não se expressa com caráter moralizador e dogmático, mas otimista, desenvolvida com relação ao avanço das mídias. Joana também afirma em seu livro A Igreja e os meios de comunicação na sociedade brasileira a partir do Concílio Vaticano II, que essa instrução pastoral é importante para todos que atuam na comunicação, por não possuir fundamentos negativistas e diretamente ligados aos possíveis ‘perigos da mídia’, mas uma novidade dentro da Igreja Católica que passa a conciliar os seus valores com os meios de comunicação e suas funções.

O que afirma a instrução?

No contexto geral, a instrução ressalta que os meios de comunicação possuem presença neutra na sociedade, e que podem trazer aspectos positivos ou negativos dependendo de como o veículo é utilizado, analisando o desenvolvimento técnico e o grau de penetração e influência na mentalidade e no comportamento das pessoas através dos meios de comunicação.

O emprego desses meios é capaz de produzir efeitos contrários à união entre os homens. Pode agravar os fatores de desinteligência e discórdia, gerando tristes consequências nos valores humanos, afirma a instrução quando fala sobre as práticas de manipulação da consciência e da opinião pública, e sobre o crescimento do uso de instrumentos modernos sem um real reconhecimento de suas capacidades favoráveis ou não à realidade social do receptor.

O que conclui a instrução?

Não faz exigências de como conduzir os veículos e a informação. Afirma a necessidade de cooperar para que os meios de comunicação social promovam valores que gerem a harmonia e a unidade social. No documento, a Igreja expressa a opinião de que tudo o que for utilizado para “comunicar” deve ter como base a análise do bem comum, afirmando que os meios devem ser fundamentados sobre limites e regras que tenham como consequência uma comunicação justa e eficiente.

O que é o decreto Inter Mirifica?

O decreto Inter Mirifica foi escrito pelo Papa Paulo VI e fala sobre os meios de comunicação social, reconhecendo segundo a doutrina da Igreja Católica que cada meio é um instrumento de ajuda valiosa para que o gênero humano cultive o diálogo pacífico. Leia o decreto completo na biblioteca do vaticano, acessando www.vatican.va.

O que foi o Concílio Vaticano II?

Encontro proposto pelo Papa João XXIII, organizado entre 1962 e 1965, marcando a doutrina católica e toda a sua história até o século 20. O objetivo do Concílio foi discutir questões teológicas e doutrinais, corrigir incoerências e renovar o conhecimento e todo o ensinamento da Igreja a fim de acompanhar a evolução da sociedade e do pensamento humano.

 

Texto: Larissa Sassi



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