Da vida virtual para a comunidade

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Não há como fugir da internet, ela se tornou parte da rotina quebrando barreiras tanto em questões úteis quanto fúteis. Não podemos negar a facilidade oferecida pelos banklines (sites dos bancos com acesso à conta e operações bancárias) e lojas virtuais: evitamos filas e podemos escolher o que precisamos sem tanta complicação. Em questões educativas, os benefícios são positivos, mas também questionáveis – temos o acesso a muita informação, mas nem sempre com qualidade. Nas relações sociais, o contato virtual banalizou conceitos como o da “amizade”: há pessoas com centenas de amigos nas redes sociais, mas na vida real são tímidas e solitárias.

Se o Cristianismo tem uma natureza evangelizadora que nos leva ao contato com as pessoas onde elas estão, devemos deixar de lado os preconceitos e discernir sobre qual a nossa missão nesse mundo virtual.

No discurso do Papa Bento XVI na Plenária da Congregação para Educação Católica, em fevereiro de 2011, o Pontífice afirmou que a “internet, pela sua capacidade de superar as distâncias e de colocar em contato recíproco as pessoas, apresenta grandes possibilidades também para a Igreja e a sua missão”. E acrescento, baseado em outros trechos desse discurso: é importante ter discernimento e “estratégia” de ação para as possibilidade da internet, tendo como atenção principal que a experiência virtual motive os paroquianos à experiência comunitária – a saírem do computador e terem vida ativa na comunidade.

Acompanho o trabalho de muitas paróquias na internet e noto que facilmente há uma confusão, um “oba-oba”, que dura no máximo 30 dias. A cena comum é o pároco reunindo a Pastoral da Comunicação para uma participação ativa na internet. Muitas ideias surgem, todos ficam empolgados em “cuidar” do Facebook e Twitter, as tarefas são divididas. Daí depois, no dia-a-dia, ocorre um bombardeio de informações publicadas no site da paróquia e nas redes sociais (boa parte copiada de outros sites), visivelmente sem objetivo – como se dissessem: “olhem para nós, somos modernos e estamos aqui!”. Como a ação é desconexa, funciona num período curto e ninguém que visita o site ou segue tal perfil fica satisfeito com o que está vendo. Talvez haja fidelidade de acesso apenas entre meia dúzia de pessoas que, independente do que estiver lá, lá estarão. E a equipe da Pastoral da Comunicação se frustra, muda o ritmo e depois até se esquece do compromisso que fora feito.

Participar ativamente e efetivamente da internet, com essa equipe de comunicação “on-line” bem organizada, quer dizer ter foco em:

Conteúdo: de qualidade, bem escrito, objetivo e bem ilustrado (com fotos e, se possível, infográficos). Dividido em conteúdo para o site, geralmente mais denso e detalhado, e para as redes sociais, curto e com link para o site.

Comunicação: no site, o Fale Conosco (formulário para envio de mensagem) e o telefone da Secretaria Paroquial precisam ter fácil acesso. Também inclua ferramentas como um Chat e link para os perfis nas Redes sociais. Atenção: NUNCA deixe de responder qualquer mensagem recebida.

Objetivo: o site ou perfil nas redes sociais não é um ambiente externo à comunidade, não funciona de forma independente. Precisa ser uma ferramenta para divulgar a Paróquia e levar as pessoas à experiência em comunidade.
Tenho certeza que nenhum pároco ficaria satisfeito em ter um site com muitos acessos, porém com a missa de domingo vazia.

Pense na internet com estratégia, com metas e, seja rigoroso na agenda de tarefas. Utilize-a para superar as distâncias, não para aumentá-las.

Por Sérgio Fernandes (Agência Minha Paróquia)
E-mail: contato@minhaparoquia.com.br



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