Os 7 pecados do inbound marketing

Inbound Marketing é o conjunto de estratégias de marketing que visam atrair e converter clientes usando conteúdo relevante. (Resultados Digitais)

Atenção, inbound marketing não salva! Se vieram te convencer do contrário, talvez ainda dê tempo de se livrar da chance de desperdiçar o dinheiro de sua paróquia ou de sua empresa.

Nenhuma estratégia de marketing funciona sozinha, especialmente para segmentos complexos como o católico. Existem boas ferramentas, não há de se negar, mas se forem usadas do jeito errado, vão desperdiçar tempo e investimento.

Inbound marketing é uma “modinha”. Um dia será superada por outra “modinha”.

A intenção desse artigo não é demonizar o inbound marketing, e sim apontar erros recorrentes. É possível ser usado com bons resultados, mas definifí-lo como uma ferramenta milagrosa é um equívoco.

Confira, a seguir, os 7 pecados do inbound marketing:

  1. O segmento religioso católico ainda funciona com a mídia off-line, existe um grande público que se relaciona bem com os formatos tradicionais (ex: boletim impresso), então uma estratégia exclusivamente on-line não chegará a todos. E o padrão do inbound marketing não consegue mensurar essas mídias.
  2. Pode ser um modelo estratégico novo, que traz termos novos (Leads, Personas, Call to action etc), mas tem um momento que acaba caindo em ações antigas, que já não funcionam tão bem. Estou falando do e-mail marketing. Por mais que consigam identificar melhor o público interessado, na prática, ficam o enchendo de mensagens que trazem pouco resultado. E vamos ser realistas: o hábito do uso de e-mail mudou muito, é mais usado para trabalho, enviamos mensagens aos amigos pelo Whatsapp e os filtros anti Spam são muito espertos.
  3. E é por cair numa prática velha chamada Spam que o inbound marketing pode gerar uma reação reversa do público. Estou falando de práticas equivocadas, o conceito original dessa ferramenta não indica isso, mas as agências fazem! É como chegar numa loja, você tem interesse numa roupa, já na porta vem uma vendedora perguntar se ela pode te ajudar, você diz que só está olhando, ela fica na sua cola, você faz uma pergunta, ela responde tentando te convencer a ver mais roupas, chega um momento que você se cansa da insistência da vendedora, desiste da compra, diz que volta noutro dia (para despistar) e vai embora. Mais tarde, de alguma forma (talvez porque você tem cadastro na loja), a vendedora consegue o seu número de celular e começa a te ligar todos os dias perguntando quando você voltará para comprar a roupa. É uma história meio absurda, mas tente lembrar de sites que você acessou buscando um produto e no mesmo dia a publicidade das redes sociais e até o seu e-mail passou a receber divulgações de produtos relacionados. O marketing digital funciona assim, parabéns para ele! Agora, avalie qual é o real efeito no público quando você consegue informações (o e-mail e o produto desejado) e passa a bombardeá-lo. Já disse que se trata de uma prática equivocada. E essas ferramentas de inbound marketing conseguem captar dados do visitante do seu site (IP, de onde veio, para onde foi, os links que acessou, e-mail) e ainda podem juntar com outras fontes (o CRM da loja com outros dados desse cliente). É uma forma incrível de conseguir identificar esse público, mas se usado de forma irresponsável, pode ser mais um jeito de fazer Spam.
  4. No Brasil, a modinha do inbound marketing é fomentada por empresas cujo público alvo são as agências de publicidade. É feito um tipo de filiação e promovem eventos/shows/coaching. As agências participam desses eventos entusiasmadas, como se estivessem participando de uma “revolução digital”, mas, na verdade estão indo lá como clientes para serem convencidas sobre um produto. Tá aí o grande negócio dessas empresas: a venda de um sistema de automação que não é barato (R$ 720 mensal + R$ 1290 de taxa de implementação). As agências vendem o serviço de inbound marketing para seus clientes acrescentando ainda o seu trabalho de configurar e acompanhar o sistema. Tudo bem, cada um cobra o que quer e cada um paga o que pode, mas como estou falando do segmento religioso (e também de uma ferramenta automática), posso dizer que financeiramente não compensa! Um investimento desses pode até valer para uma empresa como parte de sua estratégia de venda, mas para as paróquias é jogar dinheiro no lixo.
  5. Parte da estratégia é gerar conteúdos para atrair o público, mas será que estamos produzindo conteúdo realmente “funcional”? Digo isso porque vejo agência apenas copiando textos de outros sites. O Google está acostumado a identificar isso e prejudica o ranking do site. Quem é contratado para inbound marketing sabe disso, talvez não faça para conseguir oferecer um custo menor no serviço. Se o cliente não tiver essa atenção, mais adiante perceberá que perdeu tempo. Não adianta investir numa ferramenta sofisticada, ter peças gráficas bonitas se o conteúdo é ruim!
  6. E o pior erro é quando há o entusiasmo em investir em inbound marketing e deixa de lado todo o resto dos meios e ações de comunicação. Isso é comum de acontecer pelo fato de haver um investimento de certa forma alto e não sobrar verba para outras coisas. Do que adianta ter produzido um incrível e-mail marketing divulgando um produto se, ao clicar no link de compra, abre uma loja virtual antiga e complicada de efetivar o pedido. Do que adianta uma Paróquia investir num excelente trabalho de inbound marketing se quando o fiel acessar o site, irá encontrá-lo abandonado, desatualizado, ou pior: chegar na Paróquia e a sonorização da igreja for péssima, não dar para entender uma palavra do homilia.
  7. E, por fim, precisamos ser honestos em falar aquilo que ninguém fala: o inbound marketing é uma estratégia criada para vendas e empresas. Tem até uma nomenclatura importante, o “funil de vendas”. É feito para vender! Não basta simplesmente usar o mesmo conceito e só mudar nomes, florear, colocar Deus no meio, para aplicar ao Dízimo, a PASCOM ou a um evento. Nossa agência tem 10 anos de atuação e sempre alertei minha equipe sobre o pecado da presunção e da arrogância. Nós não sabemos tudo e nem tudo o que aprendemos funciona na Igreja! Então, pegar algo novo, uma “modinha”, e vender como uma solução é mentir.

Se sua comunidade tem a intenção de usar o inbound marketing como UMA DAS ferramentas estratégicas para algum objetivo especial, siga em frente. Agora, se foi convencido por alguma agência a gastar dinheiro como se essa fosse uma fórmula milagrosa, não caia nesse erro!

Thomas Edison dizia que “o gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração”. Possivelmente nossa medida de inspiração deve ser maior já que vem do Espírito Santo, mas a transpiração sempre será muita. Busque novas ideias e ferramentas, sabendo que elas sempre exigirão de nós muito trabalho e ativo senso crítico.

Por Sérgio Fernandes
Agência Minha Paróquia



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